quarta-feira, maio 19, 2004

budismo

Budismo
Mais do que uma religião, o Budismo é uma filosofia. Surgiu há cerca de 2500 anos, na região que hoje corresponde ao Nepal. Atualmente, é uma das religiões que mais conquista adeptos, e já ultrapassou a casa dos 200 milhões de fiéis, espalhados pelo mundo inteiro.


A época de Sidarta

Por volta de 560 a.C, a Índia era dividida em pequenos reinos. O reino de Sakya localizava-se entre o norte da Índia e as montanhas do Himalaia, ao sul do atual Nepal. Sakya era governada pelo rei Shuddhodana que era casado com sua prima, Maya. Obedecendo aos costumes da época, ela estava a caminho de sua terra natal, a fim de dar à luz seu filho e, chegando no Jardim de Lumbini, entre as cidades de Devadaha e Kapilavastu, o menino veio a nascer, e recebeu o nome de Sidarta Gautama.

Maya faleceu uma semana após o nascimento Sidarta, este passou a ser cuidado por sua irmã, Mahaprajapati. Consta que os oráculos, ao verem o menino, diferente das pessoas comuns, ostentando diversos sinais de excelência em sua fisionomia, profetizaram que o príncipe se continuasse no reino seria um grande rei.

Contudo, tomando o caminho de asceta, seria o BUDA, salvador do mundo.
O rei, seu pai, acalentava o sonho de que Sidarta se tornaria o rei Tenrin, por isso ensinou-lhe todas as formas de letras e artes marciais disponíveis na época, e em todas elas ele teria demonstrado excelência. Entretanto, Sidarta tinha uma índole meditativa desde berço e, com freqüência, buscava no silêncio seus momentos de reflexão.

O rei, a fim de levantar o ânimo de seu filho, construiu-lhe palácios adequados para as estações de frio, calor e chuvas; procurava diverti-lo com músicas e danças, e até lhe trouxe a linda princesa Yasodhara como sua consorte, com quem teve um filho - Râhulla. Porem, Sidarta não conseguia viver despreocupado como seu pai.

Não podia receber de braços abertos os prazeres da vida. Começava a raciocinar profundamente sobre si mesmo e seu próprio reino e o triste destino de toda a humanidade.

Quando saía a passeio pelo portão do palácio até o bosque real, consta que ora se encontrava com um velho decrépito, sem forças, à beira da estrada, ora com um doente sofrendo de dores; em outras ocasiões, deparava-se com funerais onde os acompanhantes choravam a morte de parentes; e com monge que transmitia extrema pureza. Ainda que esta história, "Saída dos Quatro Portões" possa eventualmente ser lenda, ilustra bem seu interesse pela humanidade despertado em seu coração.

Como poderia ele mesmo, bem como a humanidade, superar esse destino - este foi o assunto que dominou sua mente dia e noite e que, afinal, determinou sua decisão de deixar o palácio real. Com receio justificado de enfrentar resistência palaciana, saiu à revelia, na calada da noite. Alcançando a fronteira, mandou de volta o criado e o cavalo, ordenando que transmitisse sua decisão ao seu pai, o Rei.

Houve tristeza no palácio. Mas, cientes da decisão inabalável do príncipe, não ouve outra alternativa senão aceitar a sua vontade. Conforme documentos antigos, dignos de confiança, Sidarta teria 29 anos nessa ocasião.
Durante seis anos, Sidarta praticou o ascetismo chegou a experimentar os métodos mais violentos de asceticismo, considerados impossíveis para pessoas normais, a ponto de noticiarem a sua morte. Não foi possível, porém, alcançar qualquer sentimento de Iluminação. O que soube através dessa experiência é que castigar o corpo, até chegar próximo da morte, não proporciona a paz espiritual. Pelo contrário, poderia perturbar o espírito. O que significa dizer que, a paz de espírito só se atinge através do corpo sadio e perfeito. Ele percebeu que o próprio fato de procurar o estado de Iluminação através da prática do asceticismo, que beira a morte, é uma espécie de "apego". O "apego" em si, já prejudica a paz espiritual. E compreendeu que a vida palaciana e a vida ascética são dois extremos; o ideal é seguir um caminho intermediário, o caminho do meio.

Assim, abandonou o asceticismo praticado até então. Lavou e purificou o
corpo em águas límpidas da correnteza próxima, alimentando-se de papa de arroz com leite, oferecido, por uma senhora da aldeia. Seu corpo, extremamente enfraquecido, recuperou-se aos poucos.

Alcançar a Iluminação

Com a força física recuperada, Sidarta foi para uma região onde os iluminados do passado atingiram o despertar. Sentou-se em postura de meditação sob a árvore Bodhi, que passou a ser conhecida como figueira pipal (fícus indica), jurando para si mesmo que só se levantaria após atingir a iluminação.

Primeiro Sidarta lembrou-se de suas incontáveis vidas passadas; depois, ele viu o processo de renascimento de todos os seres; finalmente, ele alcançou a Verdade última de todos os fenômenos.

Estava na ocasião, com 35 anos de idade.

Sidarta realizou sua própria natureza búdica e, conseqüentemente, compreendeu o que era o KARMA, sua causa, sua extinção e o meio para extingui-lo. Sidarta conseguiu alcançar a iluminação e passou a ser conhecido como o Iluminado - BUDA. Sendo chamado respeitosamente de Sakyamuni Buda. (Sakya - é originalmente, o nome de uma tribo; Muni - significa pessoa santa, portanto, Sakyamuni = pessoa santa originária da tribo dos Sakyas)

Sendo assim, a essência e o objetivo do budismo de Sakyamuni Buda é extinguir o KARMA.

Consta que ele, ao se tornar Buda, continuou a meditar por mais sete semanas em sinal de alegria por ter alcançado a Iluminação, com o objetivo de fazer uma retrospecção sobre o seu conteúdo e obter considerações acerca do método de como realizar pregações aos homens.

Nesse intervalo, considerando a imensa profundidade dessa recém descoberta Verdade, imaginou que seria impossível para os homens, mergulhados nos interesses terrenos, compreende-la, e chegou a pensar até em abandonar a sua difusão.

Reconsiderando o seu pensamento, concluiu que poderia haver alguém com capacidade para entender a Verdade e, ainda, os que poderiam aceita-la, dependendo da maneira como fosse explicada, decidiu assumir o caminho do apostolado.

Então BUDA começou então expor seus ensinamentos o DHARMA, atraindo milhares de discípulos.

Na sua primeira pregação, BUDA falou das Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho do Óctuplo, dogma fundamental do budismo.

Os ensinamentos do BUDA não se restringiam aos campos religiosos e filosóficos. Sakyamuni Buda era conhecido pela sua grande compaixão e pela sua disciplina pura.

A sua Morte

Após proferir suas instruções finais, ele entrou em um estado de profunda meditação e alcançou o NIRVANA (estado espiritual de suprema paz, onde não acontece mais a reencarnação, havendo assim a liberação final).

Com isso, Sakyamuni teve sua vida encerrada com 80 anos numa cidade do interior chamada Kusinâra (Kusingara), situada entre o reino dos Sakyas e o de Magadha.

O seu corpo depois de cremado, teve os seus restos (shari) divididos em oito partes entre reis e tribos com os quais manteve próximo em vida.

Cada uma das regiões resolveu edificar uma torre (sharitô) a fim de cultua-lo. A relíquia descoberta em Pippalaguha também seria uma delas.

As pessoas que estimavam Sakya, não só cultuavam as torres de shari, como também veneravam os restos de seus cabelos, dentes, pegadas, a tigela para mendicância usada por ele. Cultuavam também a árvore Bodhi. E, além disso, o jardim de Lumbini onde ele nasceu, Buddhagaya, onde se iluminou; o Jardim das Gazelas de Benares, terra onde iniciou as suas primeiras pregações; e Kusinâra, terra do seu falecimento, que são consideradas as quatro maiores terras santas, têm sido alvo de peregrinação dos seus seguidores laicos e monges. Este costume vem sendo cultuado até hoje e recebe numerosas visitas de peregrinos budistas.
Com relação à data de morte de Sakya, há cerca de três versões:

1º - entre 544-543 a.C.
2º - cerca de 480 a.C.
3º - cerca de 380 a.C.

A segunda versão é adotada, de forma geral e ampla, no Japão e também no Ocidente. Como Sakyamuni teria falecido aos 80 anos, a data do seu nascimento situar-se-ia em torno de 560 a.C.

Posteriormente ao falecimento de Sakyamuni, o DHARMA - doutrina ensinada por ele durante toda sua vida, foi compilado numa sutra denominada SUTRA ÁGAMA (sânscrito - ágama, páli - nikaya) (que corresponde à Bíblia Sagrada dos Cristãos). Nesse sutra, BUDA deixou registrada a maneira para extinguir o KARMA.

Após a morte de Buda, formaram-se três correntes budistas.

1.Theravada - Budismo transmitido para o Sul - Sri Lanka, Tailândia, Miyanma, Laos Camboja, Vietnã - "Caminho dos mais Velhos". (O Cânon Páli, principal texto dos budistas Theravada)

2.Mahayana - Budismo transmitido para o Norte - China, Península Coreana, Japão - "Grande Veículo".

Tipos de Budismo Mahayana populares na China e no Japão:

Zen - Espécie de Budismo que busca atingir a iluminação através da meditação. Seu aprendizado inclui a prática da poesia, pintura e das artes marciais.
Terra Pura ou Pure Land - Ramo que reverencia Amitabha, o Buda da luz divina, senhor de um mundo de maravilhas e paz chamado "Terra Pura - Pure Land".

Tibetana - Budismo transmitido para o Leste - É o Vajrayana , difundido na Índia. De forte base tântrica, de práticas de magia e fórmulas mântricas.
No século XIII o budismo tibetano, assim como o budismo como um todo, foi praticamente destruído na Índia com o advento das invasões muçulmanas na região.

No final do século XIX, em Piprawar, no reino dos Sakyas, foi descoberto um vaso contendo os restos mortais (shari) de Sakyamuni.

Pelo texto gravado em escrita antiga na tampa deste vaso, comprova-se a real existência de Sakyamuni, que teria vivido antes do século III a.C. Uma parte dos restos mortais (shari) de Buda que estava nesse vaso foi levada para Japão, onde vem sendo cultuada.

O Budismo de Nitiren Daishonin

O Budismo de Nitiren Daishonin fundamenta-se na afirmação de que todas as pessoas têm o potencial de atingir a iluminação. Esta idéia é a epítome do Budismo Mahayana, uma das duas principais divisões do Budismo. Surgiu na Índia após a morte de Sakyamuni, através de um movimento de popularização dos ensinos do Buda. Seus discípulos não se isolaram da sociedade como alguns grupos budistas anteriores. Ao invés disso, lutaram para a propagação em meio ao povo e para auxiliar as outras pessoas no caminho da iluminação. Portanto, Mahayana é caracterizado pelo espírito de benevolência e altruísmo.

O Budismo Mahayana foi introduzido na China, onde deu origem a várias seitas. Uma das mais importantes foi fundada por Tientai (538- 597), conhecida como seita Tendai. Esta ensina que o Sutra de Lótus é o mais alto de todos os sutras Mahayana e que todas as coisas, tanto animadas como inanimadas, possuem um potencial dormente para a iluminação. Esta doutrina resultou na teoria conhecida como "Itinen Sanzen". As doutrinas da seita Tendai foram mais tarde desenvolvidas e sistematizadas por Miao-lo (711-782), o nono chefe religioso da seita.

O Budismo de Tientai foi introduzido no Japão no Século IX por Dengyo Daishi que havia estudado sua doutrinas na China. Mais tarde, no século XIII, Nitiren Daishonin estudou no Monte Hiei. o centro da seita Tendai no Japão, e veio a entender que o Sutra de Lótus constitui a essência de todo o Budismo. Logo depois, começou a pregar o conteúdo do que havia descoberto.

De acordo com seu ensinamento, as funções de todo o universo estão sujeitas a um único princípio ou lei. Através da compreensão desta lei, a pessoa é capaz de libertar o potencial oculto de sua própria vida e atingir a harmonia perfeita com o seu ambiente.

Nitiren Daishonin definiu a lei universal como Nam-myoho-rengue-kyo, uma fórmula que representa o fundamento do Sutra de Lótus e é conhecida como Daimoku. Além disso, ele deu concreção à lei, inscrevendo-a num pergaminho - Gohonzon - para que as pessoas pudessem colocar a essência da sabedoria budista em prática e desta forma atingir a iluminação. No tratado intitulado "O Verdadeiro Objeto de Adoração", ele concluiu que crendo e orando Nam-myoho-rengue-kyo ao Gohonzon, que é a cristalização da lei universal, revelar-se-á a natureza de Buda inerente em todos os indivíduos.

Todos os fenômenos estão sob a infalível lei de causa e efeito. Conseqüentemente, o estado de vida de um ser - seu destino, em outras palavras é a conseqüência de todas as causas prévias. Através da oração do Nam-myoho-rengue-kyo, a pessoa está criando a causa suprema, que pode compensar os efeitos negativos do passado.

A iluminação não é mística nem transcendental como muitos supõem. Antes, é uma condição de máxima sabedoria, vitalidade e boa sorte, na qual o indivíduo pode moldar o seu próprio destino, encontrando plenitude nas atividades diárias e entendendo a missão de sua vida.

budismo

Budismo
Mais do que uma religião, o Budismo é uma filosofia. Surgiu há cerca de 2500 anos, na região que hoje corresponde ao Nepal. Atualmente, é uma das religiões que mais conquista adeptos, e já ultrapassou a casa dos 200 milhões de fiéis, espalhados pelo mundo inteiro.


A época de Sidarta

Por volta de 560 a.C, a Índia era dividida em pequenos reinos. O reino de Sakya localizava-se entre o norte da Índia e as montanhas do Himalaia, ao sul do atual Nepal. Sakya era governada pelo rei Shuddhodana que era casado com sua prima, Maya. Obedecendo aos costumes da época, ela estava a caminho de sua terra natal, a fim de dar à luz seu filho e, chegando no Jardim de Lumbini, entre as cidades de Devadaha e Kapilavastu, o menino veio a nascer, e recebeu o nome de Sidarta Gautama.

Maya faleceu uma semana após o nascimento Sidarta, este passou a ser cuidado por sua irmã, Mahaprajapati. Consta que os oráculos, ao verem o menino, diferente das pessoas comuns, ostentando diversos sinais de excelência em sua fisionomia, profetizaram que o príncipe se continuasse no reino seria um grande rei.

Contudo, tomando o caminho de asceta, seria o BUDA, salvador do mundo.
O rei, seu pai, acalentava o sonho de que Sidarta se tornaria o rei Tenrin, por isso ensinou-lhe todas as formas de letras e artes marciais disponíveis na época, e em todas elas ele teria demonstrado excelência. Entretanto, Sidarta tinha uma índole meditativa desde berço e, com freqüência, buscava no silêncio seus momentos de reflexão.

O rei, a fim de levantar o ânimo de seu filho, construiu-lhe palácios adequados para as estações de frio, calor e chuvas; procurava diverti-lo com músicas e danças, e até lhe trouxe a linda princesa Yasodhara como sua consorte, com quem teve um filho - Râhulla. Porem, Sidarta não conseguia viver despreocupado como seu pai.

Não podia receber de braços abertos os prazeres da vida. Começava a raciocinar profundamente sobre si mesmo e seu próprio reino e o triste destino de toda a humanidade.

Quando saía a passeio pelo portão do palácio até o bosque real, consta que ora se encontrava com um velho decrépito, sem forças, à beira da estrada, ora com um doente sofrendo de dores; em outras ocasiões, deparava-se com funerais onde os acompanhantes choravam a morte de parentes; e com monge que transmitia extrema pureza. Ainda que esta história, "Saída dos Quatro Portões" possa eventualmente ser lenda, ilustra bem seu interesse pela humanidade despertado em seu coração.

Como poderia ele mesmo, bem como a humanidade, superar esse destino - este foi o assunto que dominou sua mente dia e noite e que, afinal, determinou sua decisão de deixar o palácio real. Com receio justificado de enfrentar resistência palaciana, saiu à revelia, na calada da noite. Alcançando a fronteira, mandou de volta o criado e o cavalo, ordenando que transmitisse sua decisão ao seu pai, o Rei.

Houve tristeza no palácio. Mas, cientes da decisão inabalável do príncipe, não ouve outra alternativa senão aceitar a sua vontade. Conforme documentos antigos, dignos de confiança, Sidarta teria 29 anos nessa ocasião.
Durante seis anos, Sidarta praticou o ascetismo chegou a experimentar os métodos mais violentos de asceticismo, considerados impossíveis para pessoas normais, a ponto de noticiarem a sua morte. Não foi possível, porém, alcançar qualquer sentimento de Iluminação. O que soube através dessa experiência é que castigar o corpo, até chegar próximo da morte, não proporciona a paz espiritual. Pelo contrário, poderia perturbar o espírito. O que significa dizer que, a paz de espírito só se atinge através do corpo sadio e perfeito. Ele percebeu que o próprio fato de procurar o estado de Iluminação através da prática do asceticismo, que beira a morte, é uma espécie de "apego". O "apego" em si, já prejudica a paz espiritual. E compreendeu que a vida palaciana e a vida ascética são dois extremos; o ideal é seguir um caminho intermediário, o caminho do meio.

Assim, abandonou o asceticismo praticado até então. Lavou e purificou o
corpo em águas límpidas da correnteza próxima, alimentando-se de papa de arroz com leite, oferecido, por uma senhora da aldeia. Seu corpo, extremamente enfraquecido, recuperou-se aos poucos.

Alcançar a Iluminação

Com a força física recuperada, Sidarta foi para uma região onde os iluminados do passado atingiram o despertar. Sentou-se em postura de meditação sob a árvore Bodhi, que passou a ser conhecida como figueira pipal (fícus indica), jurando para si mesmo que só se levantaria após atingir a iluminação.

Primeiro Sidarta lembrou-se de suas incontáveis vidas passadas; depois, ele viu o processo de renascimento de todos os seres; finalmente, ele alcançou a Verdade última de todos os fenômenos.

Estava na ocasião, com 35 anos de idade.

Sidarta realizou sua própria natureza búdica e, conseqüentemente, compreendeu o que era o KARMA, sua causa, sua extinção e o meio para extingui-lo. Sidarta conseguiu alcançar a iluminação e passou a ser conhecido como o Iluminado - BUDA. Sendo chamado respeitosamente de Sakyamuni Buda. (Sakya - é originalmente, o nome de uma tribo; Muni - significa pessoa santa, portanto, Sakyamuni = pessoa santa originária da tribo dos Sakyas)

Sendo assim, a essência e o objetivo do budismo de Sakyamuni Buda é extinguir o KARMA.

Consta que ele, ao se tornar Buda, continuou a meditar por mais sete semanas em sinal de alegria por ter alcançado a Iluminação, com o objetivo de fazer uma retrospecção sobre o seu conteúdo e obter considerações acerca do método de como realizar pregações aos homens.

Nesse intervalo, considerando a imensa profundidade dessa recém descoberta Verdade, imaginou que seria impossível para os homens, mergulhados nos interesses terrenos, compreende-la, e chegou a pensar até em abandonar a sua difusão.

Reconsiderando o seu pensamento, concluiu que poderia haver alguém com capacidade para entender a Verdade e, ainda, os que poderiam aceita-la, dependendo da maneira como fosse explicada, decidiu assumir o caminho do apostolado.

Então BUDA começou então expor seus ensinamentos o DHARMA, atraindo milhares de discípulos.

Na sua primeira pregação, BUDA falou das Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho do Óctuplo, dogma fundamental do budismo.

Os ensinamentos do BUDA não se restringiam aos campos religiosos e filosóficos. Sakyamuni Buda era conhecido pela sua grande compaixão e pela sua disciplina pura.

A sua Morte

Após proferir suas instruções finais, ele entrou em um estado de profunda meditação e alcançou o NIRVANA (estado espiritual de suprema paz, onde não acontece mais a reencarnação, havendo assim a liberação final).

Com isso, Sakyamuni teve sua vida encerrada com 80 anos numa cidade do interior chamada Kusinâra (Kusingara), situada entre o reino dos Sakyas e o de Magadha.

O seu corpo depois de cremado, teve os seus restos (shari) divididos em oito partes entre reis e tribos com os quais manteve próximo em vida.

Cada uma das regiões resolveu edificar uma torre (sharitô) a fim de cultua-lo. A relíquia descoberta em Pippalaguha também seria uma delas.

As pessoas que estimavam Sakya, não só cultuavam as torres de shari, como também veneravam os restos de seus cabelos, dentes, pegadas, a tigela para mendicância usada por ele. Cultuavam também a árvore Bodhi. E, além disso, o jardim de Lumbini onde ele nasceu, Buddhagaya, onde se iluminou; o Jardim das Gazelas de Benares, terra onde iniciou as suas primeiras pregações; e Kusinâra, terra do seu falecimento, que são consideradas as quatro maiores terras santas, têm sido alvo de peregrinação dos seus seguidores laicos e monges. Este costume vem sendo cultuado até hoje e recebe numerosas visitas de peregrinos budistas.
Com relação à data de morte de Sakya, há cerca de três versões:

1º - entre 544-543 a.C.
2º - cerca de 480 a.C.
3º - cerca de 380 a.C.

A segunda versão é adotada, de forma geral e ampla, no Japão e também no Ocidente. Como Sakyamuni teria falecido aos 80 anos, a data do seu nascimento situar-se-ia em torno de 560 a.C.

Posteriormente ao falecimento de Sakyamuni, o DHARMA - doutrina ensinada por ele durante toda sua vida, foi compilado numa sutra denominada SUTRA ÁGAMA (sânscrito - ágama, páli - nikaya) (que corresponde à Bíblia Sagrada dos Cristãos). Nesse sutra, BUDA deixou registrada a maneira para extinguir o KARMA.

Após a morte de Buda, formaram-se três correntes budistas.

1.Theravada - Budismo transmitido para o Sul - Sri Lanka, Tailândia, Miyanma, Laos Camboja, Vietnã - "Caminho dos mais Velhos". (O Cânon Páli, principal texto dos budistas Theravada)

2.Mahayana - Budismo transmitido para o Norte - China, Península Coreana, Japão - "Grande Veículo".

Tipos de Budismo Mahayana populares na China e no Japão:

Zen - Espécie de Budismo que busca atingir a iluminação através da meditação. Seu aprendizado inclui a prática da poesia, pintura e das artes marciais.
Terra Pura ou Pure Land - Ramo que reverencia Amitabha, o Buda da luz divina, senhor de um mundo de maravilhas e paz chamado "Terra Pura - Pure Land".

Tibetana - Budismo transmitido para o Leste - É o Vajrayana , difundido na Índia. De forte base tântrica, de práticas de magia e fórmulas mântricas.
No século XIII o budismo tibetano, assim como o budismo como um todo, foi praticamente destruído na Índia com o advento das invasões muçulmanas na região.

No final do século XIX, em Piprawar, no reino dos Sakyas, foi descoberto um vaso contendo os restos mortais (shari) de Sakyamuni.

Pelo texto gravado em escrita antiga na tampa deste vaso, comprova-se a real existência de Sakyamuni, que teria vivido antes do século III a.C. Uma parte dos restos mortais (shari) de Buda que estava nesse vaso foi levada para Japão, onde vem sendo cultuada.

O Budismo de Nitiren Daishonin

O Budismo de Nitiren Daishonin fundamenta-se na afirmação de que todas as pessoas têm o potencial de atingir a iluminação. Esta idéia é a epítome do Budismo Mahayana, uma das duas principais divisões do Budismo. Surgiu na Índia após a morte de Sakyamuni, através de um movimento de popularização dos ensinos do Buda. Seus discípulos não se isolaram da sociedade como alguns grupos budistas anteriores. Ao invés disso, lutaram para a propagação em meio ao povo e para auxiliar as outras pessoas no caminho da iluminação. Portanto, Mahayana é caracterizado pelo espírito de benevolência e altruísmo.

O Budismo Mahayana foi introduzido na China, onde deu origem a várias seitas. Uma das mais importantes foi fundada por Tientai (538- 597), conhecida como seita Tendai. Esta ensina que o Sutra de Lótus é o mais alto de todos os sutras Mahayana e que todas as coisas, tanto animadas como inanimadas, possuem um potencial dormente para a iluminação. Esta doutrina resultou na teoria conhecida como "Itinen Sanzen". As doutrinas da seita Tendai foram mais tarde desenvolvidas e sistematizadas por Miao-lo (711-782), o nono chefe religioso da seita.

O Budismo de Tientai foi introduzido no Japão no Século IX por Dengyo Daishi que havia estudado sua doutrinas na China. Mais tarde, no século XIII, Nitiren Daishonin estudou no Monte Hiei. o centro da seita Tendai no Japão, e veio a entender que o Sutra de Lótus constitui a essência de todo o Budismo. Logo depois, começou a pregar o conteúdo do que havia descoberto.

De acordo com seu ensinamento, as funções de todo o universo estão sujeitas a um único princípio ou lei. Através da compreensão desta lei, a pessoa é capaz de libertar o potencial oculto de sua própria vida e atingir a harmonia perfeita com o seu ambiente.

Nitiren Daishonin definiu a lei universal como Nam-myoho-rengue-kyo, uma fórmula que representa o fundamento do Sutra de Lótus e é conhecida como Daimoku. Além disso, ele deu concreção à lei, inscrevendo-a num pergaminho - Gohonzon - para que as pessoas pudessem colocar a essência da sabedoria budista em prática e desta forma atingir a iluminação. No tratado intitulado "O Verdadeiro Objeto de Adoração", ele concluiu que crendo e orando Nam-myoho-rengue-kyo ao Gohonzon, que é a cristalização da lei universal, revelar-se-á a natureza de Buda inerente em todos os indivíduos.

Todos os fenômenos estão sob a infalível lei de causa e efeito. Conseqüentemente, o estado de vida de um ser - seu destino, em outras palavras é a conseqüência de todas as causas prévias. Através da oração do Nam-myoho-rengue-kyo, a pessoa está criando a causa suprema, que pode compensar os efeitos negativos do passado.

A iluminação não é mística nem transcendental como muitos supõem. Antes, é uma condição de máxima sabedoria, vitalidade e boa sorte, na qual o indivíduo pode moldar o seu próprio destino, encontrando plenitude nas atividades diárias e entendendo a missão de sua vida.

Cultos Afro-Brasileiras


Os cultos afro-brasileiros são sistemas de crenças herdados dos africanos, que foram trazidos como escravos para o Brasil a partir do século 16. A maior parte desses negros era proveniente da costa Oeste da África, onde predominavam dois grandes grupos: os Sudaneses e os Bantos.


Os sudaneses vêm da região do Golfo da Guiné, onde se situam hoje a Nigéria e o Benin. Pertenciam às nações Haussais, Jeje, Keto e Nagô, e foram os principais precursores do Candomblé.

Os bantos agregam as nações de Angola, Benguela, Cabinda e Congo. Dessas nações, herdamos, entre outros elementos culturais, a capoeira e a congada.
Os cultos religiosos trazidos por esses povos sincretizaram-se com o Catolicismo, dando origem aos chamados cultos afro-brasileiros.

Candomblé

O Candomblé foi introduzido no Brasil pelos negros ioruba, na Bahia. Basicamente, é uma religião que cultua os orixás, deuses associados às forças da natureza, e sua liturigia é realizada no interior dos terreiros, também conhecidos como roças.
Da Bahia, o Candomblé se disseminou por muitos outros estados brasileiros - aliás, tornou-se uma presença marcante no Rio de Janeiro. Em Pernambuco, o Candomblé é chamado de Xangô, nome de um dos orixás mais cultuados na tradição afro-brasileira.

Os orixás

Euá

Filha de Oxalá e Iemanjá, é uma deusa casta, que tem o poder de se tornar invisível e de penetrar nos mistérios de Ifá (o deus da adivinhação). Seus domínios são as ilhas e penínsulas, o céu estrelado, a chuva e a faixa branca do arco-íris. No sincretismo religioso, está associada a Nossa Senhora das Neves.

Exu

Filho primogênito de Oxalá e Iemanjá, Exu é aquele que abre os caminhos. Por isso, é sempre o primeiro orixá a ser invocado nas aberturas dos trabalhos, nas oferendas e na leitura do oráculo de búzios. Simboliza a energia dinâmica, o impulso sexual, o fluido vital. Também está associado à comunicação, por ser o intermediador entre os homens e os orixás.

Iansã

Filha de Oxalá e Iemanjá, Iansã tem os atributos da sensualidade, do dinamismo e da coragem. É uma deusa guerreira, representada sempre como uma mulher forte, que porta uma espada e um iruexim (espécie de chicote). Também é senhora dos eguns, os espíritos dos mortos. Seus domínios são os ventos, as tempestades, os raios e o fogo. No sincretismo religioso, está associada à católica Santa Bárbara.

Ibejis

São os orixás crianças, filhos gêmeos de Iemanjá e Oxalá. Simbolizam a dualidade: o quente e o frio, a luz e a escuridão, o masculino e o feminino, o divino e o humano, o início e o fim. No sincretismo religioso, estão associados a Cosme e Damião.

Iemanjá

Esposa de Oxalá e mãe de quase todos os orixás, Iemanjá tem diferentes manifestações, nas quais recebe os nomes de Inaê, Janaína e Oloxum. Seus atributos são a feminilidade, a generosidade, a abundância e a maternidade. No sincretismo religioso, está associada à Virgem Maria.

Ifá

Deus da advinhação, Ifá é o "dono" do jogo de búzios. Seu principal atributo é o conhecimento: ele sabe o que espera cada divindade e cada ser humano, pois é o senhor dos segredos do destino.

Logum

Filho de Oxóssi e Oxum, tem os atributos da elegência, da beleza e da sedução. Durante seis meses do ano, ele assume a forma masculina e caminha pelas matas, domínios de seu pai caçador. Nos outros seis meses, assume forma feminina e parte para as águas doces, que pertencem à sua mãe. É sempre representado como um adolescente, e também é chamado de Logunedê ou Logun-Edé. No sincretismo religioso, está associado a São Miguel Arcanjo e a Santo Expedito.

Nanã

Também chamada de Nanã Burukê, esta é uma orixá muito antiga, que em diversos mitos aparece como co-criadora do mundo (no mesmo patamar de Oxalá e de Olorum). É uma das esposas de Oxalá (ao lado de Iemanjá) e em muitas regiões brasileiras recebe o carinhoso apelido de Vovó. Tem como atributos a fecundidade, a riqueza e o ciclo de morte e renascimento. Seu domínio é a lama, mistura de terra e água que simboliza a origem da vida. No sincretismo religioso, está associada a Santa Ana, mãe de Maria.

Obá

Filha de Oxalá e Iemanjá, deusa guerreira das águas revoltas, Obá é uma sofredora. Conta a lenda que ela era uma das esposas de Xangô, mas sofria por ver que o marido só tinha olhos para a bela e ciumenta Oxum. Inocentemente, foi se aconselhar com a favorita do esposo, e perguntou-lhe qual o segredo para conquistar o coração de Xangô. Astuta, Oxum sugeriu que Obá cortasse a própria orelha e a servisse como um quitute sangrento para o marido - diante desse gesto, ele ficaria louco de paixão! No entanto, Oxum sabia muito bem que Xangô não tolerava ver sangue, e depois que Obá seguiu o maquiavélico conselho, o deus guerreiro criou verdadeira repulsa por ela! No sincretismo religioso, Obá está associada a Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.

Obaluaiê

Filho de Oxalá e Nanã, esse orixá, que também é conhecido pelos nomes de Omulu e Xapanã, é o senhor da morte e da vida, da doença e da cura. Seu rosto se oculta sob uma vestimenta de palha, material empregado nos ritos fúnebres africanos. Conta a lenda que, ao nascer, Obaluaiê era tão feio que sua mãe não suportou olhá-lo, e quem o criou foi a doce e maternal Iemanjá. No sincretismo religioso, está associado a São Lázaro e a São Roque.

Ogum

Filho de Oxalá e Iemanjá, Ogum é o desbravador de todos os caminhos. Tem a coragem, a força e a impetuosidade como atributos. Segundo os africanos, foi o criador do ferro e da metalurgia, tendo aberto novas perspectivas para a civilização humana. No sincretismo religioso, está associado a Santo Antonio e a São Jorge.

Olorum

É o orixá que simboliza o céu. Não é representado sob nenhuma forma material, e seus atributos são a totalidade, a perfeição e a universalidade.

Ossaim

Filho de Oxalá e Iemanjá, este orixá, que também recebe o nome de Ossanha, tem como atributos a cura e a magia. É o orixá das folhas, e portanto, das ervas medicinais. De acordo com os mitos africanos, ele é muito respeitado por todos os outros deuses, pois até os orixás dependem do poder das folhas para se revigorarem. As palavras que ativam o poder curativo das plantas é um mistério dominado exclusivamente pelos sacerdotes de Ossaim.

Oxalá

É o pai supremo, que separou o mundo material do mundo espiritual, criou os seres vivos e gerou os orixás. Tem o poder de reger a vida e a morte, e ao mesmo tempo em que é bondoso e tolerante, também pode tornar-se firme e severo. No entanto, Oxalá prefere sempre seguir o caminho do amor. Suas esposas são Nanã e Iemanjá, e o único orixá que se encontra acima dele é Olorum (o céu). Quando representado em sua forma jovem, Oxalá recebe o nome de Oxaguiã. No sincretismo religioso, está associado a Jesus.

Oxóssi

Filho de Oxalá e Iemanjá, é o orixá provedor, cuja habilidade em caçar garante a alimentação de todos os outros deuses. Seus atributos são a fartura e a perseverança (afinal, é preciso saber a hora certa para atirar a flecha!). Seus domínios são as matas. É considerado como o guardião da agricultura e da natureza. No sincretismo religioso, está associado a São Jorge e a São Sebastião.

Oxum

Filha de Oxalá e Iemanjá, Oxum tem como atributos a beleza, a fertilidade, a riqueza e o poder de gestação. É uma deusa vaidosa e sensual, que personifica a feminilidade. Seus domínios são as águas doces (que irrigam e fertilizam os campos) e o ouro. No sincretismo religioso, está associada a Nossa Senhora das Candeias e a Nossa Senhora Aparecida.

Oxumaré

Filho de Oxalá e Nanã, ele é o arco-íris que liga o céu e a terra, a serpente que fecunda o solo e gera riquezas. Feminino e masculino ao mesmo tempo, simboliza a interação das energias. Além disso, é senhor da dualidade, do movimento, do girar incessante da vida, da perpétua renovação. Em forma de serpente, Oxumaré morde a própria cauda e assume uma forma circular que lhe permite manter em equilíbrio os corpos celestes. No sincretismo religioso, está associado a São Bartolomeu.

Xangô

Senhor dos raios, do fogo e das pedras, Xangô é um dos orixás mais populares do Brasil. Seus atributos são a firmeza de caráter, o senso de justiça, o amor à verdade, o orgulho e a autoridade. No sincretismo religioso, está associado São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São Pedro.

Os preceitos

Cerimônias Privadas: São os ritos realizados pelos membros do terreiro sem presença do público. Normalmente acontecem como preparação para os cultos abertos. Destas cerimônias, fazem parte a preparação e a oferenda de comidas para os santos e os sacrifícios ritualísticos.

Ebós: Oferendas para os orixás. Geralmente são comidas, nas quais se incluem os animais sacrificados para esse fim.

Incorporação: Durante os rituais, são entoados cânticos de louvor aos orixás. Geralmente, as letras dessas cantigas ressaltam as características de cada divindade, e destinam-se a invocá-las. Costuma-se entoar de três a sete cânticos para cada uma delas. Quando a entidade finalmente "desce", incorpora-se nas filhas-de-santo a ela consagradas. Assim, as filhas de Iansã "recebem" Iansã, as de Oxalá, incorporam o próprio, e assim por diante. Depois de todas as filhas (e filhos) de santo estarem incorporadas e devidamente paramentadas, elas dançam em roda no barracão, ao som as cantigas e dos atabaques, e dessa maneira os orixás asseguram sua proteção a seus descendentes.

Jogo de Búzios: Oráculo usado como canal de comunicação entre os homens e os deuses. É comandado por Ifá, o orixá da adivinhação.

Quizilas: Coisas que desagradam aos orixás. Nesse grupo, se incluem certos tipos de alimentos, além de cores, perfumes e uma infinidade de elementos. Por exemplo: O sangue é a quizila de Xangô.

Obrigações: De tempos em tempos, o adepto do Candomblé tem o dever de prestar certas homenagens e de fazer oferendas para seus orixás, de modo que possa contar sempre com seus favores e sua proteção.

Raspagem: É a Iniciação efetuada no Candomblé. O aspirante é submetido a uma série de processos ritualísticos, entre os quais se inclui a completa raspagem de sua cabeça e seu recolhimento à camarinha, onde permanecerá durante um período preparatório. No dia de sua saída, é dada uma festa (a chamada "Saída de Santo"), e a partir dessa ocasião o filho (ou filha) de santo torna-se capacitado a incorporar seu orixá durante os trabalhos.

Elementos que fazem parte de um terreiro

Agogô: Sineta de ferro dupla, que é acionada pelo alabê para dar início à cerimônia.

Atabaques (rum, rumpi e lé): Instrumentos musicais tocados durante as cerimônias por filhos de santo designados especificamente para essa função.
Barracão: Grande sala, onde ocorrem os rituais, inclusive as cerimônias abertas ao público.

Camarinha: Pequenos "quartinhos" espalhados pelo terreiro, dentro dos quais os filhos e filhas de santo se recolhem por ocasião de sua iniciação.

Peji: Altares das Divindades. Nos pejis são depositadas as oferendas.

Alabê: Responsável pelos atabaques e pelo toque do agogô, que marca o início dos trabalhos.

Axoguns: São os filhos-de-santo encarregados de executar os serviços sacrificiais. Trabalham sempre sob a supervisão do babalorixá ou da ialorixá responsável pela casa.

Babalorixá: Chamado também de zelador do terreiro ou pai-de-santo, é o dirigente dos trabalhos. É sobre ele que recai a responsabilidade pelos trabalhos espirituais realizados na casa. Aplica-se essa expressão somente para o sexo masculino.
Ekede: É uma espécie de "monitora". Durante os rituais, ela conduz as iaôs incorporadas até seus respectivos pejis, e as paramenta com as roupas e as armas correspondentes ao orixá incorporado.

Ialorixá: Exatamente a mesma coisa que babalorixá, só que neste caso, trata-se de alguém do sexo feminino. Também é chamada de "mãe-de-santo" ou zeladora.

Iaôs: Filhas-de-santo, que entoam os cânticos de louvor aos orixás e dançam em roda, durante os trabalhos. Em geral, são entoadas de três a sete cantigas para cada orixá. Quando este "desce", incorpora-se nas iaôs correspondentes. Vale ressaltar que as iaôs dividem todas as atividades realizadas no terreiro, inclusive limpeza, preparação das oferendas, etc.

Ogans: Filhos-de-santo encarregados de garantir a manutenção do terreiro, por meio de contribuição financeira ou de algum benefício obtido por meio de seu prestígio pessoal. São sempre designados pelo responsável da casa. Cabe ao Conselho de Ogans garantir a subsistência material do terreiro.

Pai-pequeno (ou mãe-pequena): Assistente direto do babalorixá ou da ialorixá.
Existem ainda os "Candomblés de Caboclo", típicos dos cultos trazidos pelos negros de Angola. Nessas cerimônias, as filhas e os filhos de santo incorporam não apenas os orixás (que jamais conversam com os presentes), mas também os espíritos de "caboclos", que seriam entidades de luz da corrente indígena.

Culto Vodu

Tem sua origem entre os negros do Daomé (atual Benin) e se baseia em dois pilares principais: a incorporação dos próprios deuses pelos fiéis e a invocação dos espíritos dos antepassados, com o objetivo de se fazer consultas oraculares.Essa crença se disseminou largamente no Haiti, onde ganhou os contornos de uma religião afro-cristã repleta de mitos supersticiosos e demonstrações exageradas de força e poder.

No Brasil, esse culto não é tão popular quanto o Candomblé e a Umbanda, mas conta com um bom número de adeptos, sobretudo na região de São Luis do Maranhão. Foi lá que, em 1796, foi fundado o culto Mina Jeje, pelos negros fons, originários de Abomey (à época, capital do Daomé). A família real Fon trouxe consigo o culto às divindades (voduns, equivalentes aos orixás) e à Serpente Sagrada, denominada Dan (correspondente ao orixá Oxumaré).

A nomenclatura correta para a nação Jeje seria Ewe-Fon. Em seu dialeto, a casa de Candomblé é denominada kwe, e segundo sua tradição, ela deve ser construída em meio à floresta, numa área repleta de árvores sagradas e rios. Essa grande área é chamada de Runpame, que significa "fazenda". Os animais também ocupam papel de destaque na tradição Jeje, havendo inclusive cultos em que os voduns são identificados com certas espécies (leopardo, crocodilo, pantera, gavião, elefante e outros).

No Maranhão, a sacerdotisa - que equivaleria à mãe-de-santo do Candomblé - é chamada de Noche. Quando o homem ocupa este cargo, recebe a denominação de Toivoduno.

A mais famosa Noche da História do culto vodu maranhense foi Mãe Andresa. Acredita-se que tenha sido a última princesa de linhagem direta da família real Fon. Morreu em 1954, aos 104 anos de idade.

Alguns Deuses voduns

Ayzan
Vodun da nata da terra.

Sogbô
Vodun do trovão.

Aguê
Vodun da folhagem.

Loko
Vodun do tempo.

Umbanda

A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira. Na verdade, pode-se dizer que ela não existe em nenhuma outra parte do mundo. Além do sincretismo clássico entre a herança religiosa africana e o Catolicismo, a Umbanda absorveu elementos do Espiritismo kardecista, de modo que, no decorrer dos rituais, o fiel se comunica com espíritos desencarnados.

O sincretismo entre orixás e santos católicos é muito forte. Veja as principais correspondências:

Euá - Nossa Senhora das Neves.
Iansã - Santa Bárbara.
Ibejis - Cosme e Damião.
Iemanjá - Virgem Maria, principalmente Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora dos Navegantes.
Logum - São Miguel Arcanjo e Santo Expedito.
Nanã - Santa Ana, mãe de Maria.
Obá - Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.
Obaluaiê - São Lázaro e São Roque.
Ogum - Santo Antonio e São Jorge.
Oxalá - Jesus.
Oxóssi - São Jorge e São Sebastião.
Oxum - Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora Aparecida.
Oxumaré - São Bartolomeu.
Xangô - São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São Pedro.

As práticas existentes dentro dos terreiros de Umbanda variam muito. Alguns demonstram uma ligação mais forte com o Espiritismo, outros se aproximam mais do Candomblé. Em comum, têm a força dos rituais, denominados giras, em que os filhos e filhas-de-santo entoam cânticos e dançam ao som dos atabaques. As cerimônias geralmente acontecem à noite e se estendem madrugada adentro. Os espíritos que "descem" incorporam-se nos fiéis que estão participando da gira.

Aqueles que "recebem" os espíritos são chamados de cavalos. Durante a incorporação, o "cavalo" permanece inconsciente, e quem fala através dele é seu "guia", ou seja, a entidade espiritual a ele associada. Para auxiliar os cavalos, existem os cambonos, que ocupam papel relevante na hierarquia do terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou ao pai-de-santo, que é a pessoa responsável pelos trabalhos espirituais.

Nos terreiros umbandistas, o ponto focal é o congá, altar profusamente enfeitado com flores, velas acesas e colares de contas coloridas, que simbolizam os diferentes santos e orixás. No congá, imagens de Jesus, Nossa Senhora e santos católicos dividem espaço com estatuetas de pretos-velhos, caboclos, ciganos, marinheiros e outras entidades espirituais.

A hierarquia do terreiro

Babalorixás (Babalaô, quando homem, e Ialorixá, quando mulher) - São os dirigentes.

Zeladores (jibonã e sidagã) - Auxiliam os dirigentes.

Ogã e Sambas - Tocam os atabaques e observam a disciplina.

Pais e Mães-Pequenas (Baba Mindim) - Assistentes do dirigente. Em geral, ajudam no trabalho de desenvolvimento da mediunidade dos filhos de fé.

Cambonos e coroados (feitos e / ou confirmados) - Prestam assistência aos cavalos, durante a gira.

Filhos de fé (aceitos) - São aqueles que se preparam para entrar em desenvolvimento.

Filhos de fé (em observação) - Freqüentam os trabalhos para o desenvolvimento de seus dons mediúnicos.

As sete linhas da Umbanda

A Umbanda se divide em sete linhas, ou "bandas", sendo que cada uma delas é consagrada a um orixá. Cada uma dessas divindades, por sua vez, comanda sete falanges.

Uma dessas falanges corresponde à vibração original do orixá (por exemplo: linha de Ogum). As outras seis falanges do orixá significam o cruzamento da energia original do orixá com as dos outros seis orixás (exemplo: a linha de Ogum Beira-Mar é o cruzamento da linha de Ogum com a de Iemanjá). Temos assim um total de 49 falanges.

Como o orixá nunca incorpora no ritual da Umbanda, a função das entidades pertencentes às falanges é justamente descer à Terra e executar o trabalho ordenado pelo orixá. Elas são portadoras da força da divindade.

Existe ainda uma outra subdivisão, que diz respeito à faixa etária das entidades. Desse modo, temos as crianças, os adultos e os velhos. Por exemplo: podemos ter uma criança de Xangô, um Caboclo de Oxóssi e um Preto Velho de Oxalá.

Os orixás que comandam as falanges são Iansã, Iemanjá, Ogum, Oxalá, Oxóssi, Oxum e Xangô.

Veja mais sobre os orixás e as entidades que integram as falanges da Umbanda:

Oxalá
Cor: Branca
Domínios: Todos os campos da natureza.

Oxóssi
Cor: Vermelha
Domínio: As matas.

Xangô
Cor: Marrom
Domínio: As pedras.

Ogum
Cor: Verde
Domínio: As estradas.

Iemanjá
Cores: Rosa e branco cristalino
Domínio: O mar e as águas em geral.

Oxum
Cor: Azul
Domínio: As águas doces.

Iansã
Cor: Amarela
Domínios: Ventos e Tempestades.

Nanã
Cor: Lilás
Domínio: Lama.

Obaluaiê
Cores: Preto e branco
Domínio: As cavernas.

Oxumaré
Cor: Azul claro
Domínio: As chuvas leves.

Tempo
Cor: Branco perolado
Domínio: As montanhas.

Exu
Cores: Preto e Vermelho
Domínio: Os descampados.

Pomba-gira
Cores: Preto e Vermelho
Domínio: Os descampados.

Exu-mirim
Cores: Preto e vermelho
Domínio: Os descampados.

Marinheiro
Cores: Azul e branco
Domínio: As emoções.

Boiadeiro
Cores: Marrom e Vermelho
Domínio: A força bruta.

Cigano
Cores: Todas do arco-íris
Domínio: A liberdade.

Baiano
Cores: Variadas
Domínios: A esperança e a coragem.

Caboclo
Cor: Verde
Domínio: A simplicidade.

Preto-Velho
Cor: Branco
Domínio: A sabedoria.

Criança
Cores: Variadas
Domínio: A pureza.

OBSERVAÇÃO: Essas correspondências, embora sejam as mais difundidas, podem sofrer variações em diferentes terreiros.

Oferendas

Quando as entidades que compõem as diferentes falanges estão incorporadas, elas se prestam a aconselhar seus consulentes e a realizar alguns rituais. Nestas ocasiões, utilizam-se dos quatro elementos básicos da Natureza - ou seja, AR, TERRA, FOGO e ÁGUA.

É por isso que, muitas vezes, essas entidades solicitam cigarros, bebidas, alimentos. Cada item pedido corresponde a determinados elementos naturais. Veja os exemplos:

Água e bebidas não-alcoólicas: Servem para a cura, pois simbolizam a força, o remédio e o poder gerador.

Bebidas alcoólicas: Pertencem ao elemento Fogo e permitem transmutar as energias.

Cachimbo, charuto ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o Ar, sintetizando, assim, os elementos de todas as linhas.

Quimbanda, ou as "linhas de esquerda"

Nunca se deve confundir o orixá com as entidades que integram sua Linha de Força.

A questão mais polêmica, sem sombra de dúvida, cerca o orixá Exu. Ele é uma força da natureza, imaterial e incorpóreo, como os demais orixás.

Dentro da Umbanda, a Hierarquia deste orixá denomina-se Quimbanda, recebendo ainda os nomes de Banda dos Exus e Falange dos Exus.

Na Umbanda, entende-se que este orixá e as entidades que fazem parte de sua falange atuam "à esquerda". Isso, porém, não significa que sejam de agentes do Mal!

Simplesmente, o orixá Exu - que erroneamente tem sido associado às forças diabólicas do ideário cristão - é uma força complementar às Linhas da Direita. Do mesmo modo que homem e mulher são opostos-complementares, e que tudo no Universo interage e se interpenetra, também as forças da "Direita" e da "Esquerda" se unem e se completam.

As entidades que constituem a Quimbanda são denominadas Exus, Pombas-giras e Exus-mirins. Têm missão cármica definida e trabalham no sentido de evoluir no plano espiritual, exatamente como os integrantes de todas as outras falanges.

Os Exus são responsáveis pelos trabalhos de proteção, além de terem energia vitalizadora e promoverem a desagregação de energias maléficas. Existe ainda um outro papel, muito delicado, que cabe aos integrantes desta hierarquia: é o de liberar o consciente e o inconsciente do fiel que estiver se preparando para desenvolver um trabalho mais ativo no terreiro. As entidades de Quimbanda podem trazer à tona os traumas e os segredos reprimidos - conscientemente ou não - pelo "filho de fé".

Sendo assim, pode acontecer de os "cavalos" que estejam incorporando essas entidades de Esquerda usarem linguajar torpe ou adotarem comportamentos duvidosos. Nestes casos, deve-se entender que aquele não é o procedimento da entidade em si - na verdade, pode tratar-se de uma "faxina" no inconsciente do próprio médium.

É bom ressaltar, porém, que a natureza complexa da missão confiada aos espíritos da Quimbanda os torna bem mais difíceis do que as demais entidades. Sendo assim, é necessário ter muito CONHECIMENTO e, principalmente, DISCERNIMENTO, para lidar com essas forças